O Paraná poderá abrigar, nos próximos anos, mais um parque nacional em seu território, em uma área de grande relevância ambiental e turística na divisa com Santa Catarina. A unidade de conservação federal em estudo abrange parte dos municípios de Joinville, Campo Alegre e Garuva, em Santa Catarina, e Tijucas do Sul e Guaratuba, no Paraná.
A proposta tem como objetivo potencializar a vocação turística da região e, ao mesmo tempo, garantir a proteção de uma área de Mata Atlântica com elevada importância ecológica, paisagística e cultural.
Na última semana de novembro, o tema foi debatido em reuniões que reuniram representantes nacionais do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o deputado estadual Goura (PDT) e o secretário estadual do Desenvolvimento Sustentável, Rafael Greca.
Greca destacou que o Governo do Paraná apoia integralmente a iniciativa e sugeriu que os estudos técnicos sejam ampliados em direção ao litoral, reforçando a inclusão de áreas costeiras no desenho da futura unidade. Segundo ele, o projeto deverá trazer “uma série de benefícios econômicos, sociais e ambientais à população”, com geração de empregos, fortalecimento do turismo de natureza e preservação de nascentes, florestas e fauna.
Além da riqueza ambiental, a área reúne importantes atributos culturais e históricos, como antigos caminhos de acesso ao planalto, a exemplo do Caminho dos Ambrósios. Esses elementos reforçam o potencial para o turismo de natureza, de base comunitária e rural, integrando comunidades locais em atividades como trilhas guiadas, hospedagem familiar e venda de produtos regionais.
Nas últimas semanas, equipes técnicas do ICMBio realizaram visitas de campo a pontos específicos da região, para refinar a análise sobre os limites e características da área pretendida para o parque nacional. Paralelamente, estudos com base em dados secundários – como publicações científicas, reuniões técnicas, informações fundiárias e econômicas e imagens de satélite – vêm sendo desenvolvidos desde o início do processo, com o objetivo de avaliar a viabilidade ambiental, socioeconômica, fundiária e territorial da criação da unidade.
De acordo com a equipe do ICMBio, o trabalho atual corresponde à fase analítica, que antecede a etapa de participação pública. Nessa fase seguinte, a proposta será apresentada em consultas locais e nacionais, permitindo que moradores, entidades da sociedade civil, produtores rurais, setor turístico e demais interessados possam contribuir com informações adicionais, sugestões e eventuais ajustes na proposta.
A etapa em andamento inclui reuniões setoriais com governos e prefeituras dos municípios envolvidos e a preparação das consultas públicas, que estão previstas para ocorrer no primeiro trimestre de 2026. Após esse ciclo de debates e consolidação dos estudos, o governo federal poderá decidir pela criação oficial da nova unidade de conservação, o que colocaria a região entre os principais destinos de turismo de natureza do Sul do Brasil.






