Nesta semana, enquanto o governo do Paraná realizou consultas públicas sobre a transformação de algumas escolas em cívico-militares e, em outras 96, sobre a implementação do programa Parceiro da Escola – que transfere a gestão da instituição para uma empresa privada –, a comunidade escolar aprovou a proposta em apenas duas delas. Como entender isso? Muita gente rejeitou as mudanças como se qualquer alternativa ao modelo atual fosse uma ameaça ao “direito à educação”. Só que fica uma pergunta incômoda: se o dinheiro não fosse problema, a maioria dos pais colocaria os filhos em escola pública ou particular? A resposta sincera, todo mundo sabe qual é.
O sonho de qualquer pai que leva a sério a formação dos filhos é simples: boa escola, disciplina, conteúdo forte e resultado. E com poucas e honrosas exceções, a escola privada ainda dá de dez a zero na pública. No Paraná, o IDEB da rede estadual até melhorou e encostou na média da privada em alguns pontos. Mas quando se olha a aprendizagem real, principalmente em Matemática e Português, a história muda: na rede privada, mais da metade dos alunos atinge o nível adequado; na pública, esse índice cai para um dígito. Oficialmente, o sistema parece bem; na vida real, o aluno continua sem base.
Isso aparece com força nas universidades públicas mais disputadas. Quem vem da escola privada ou federal entra antes e em maior quantidade. Já o aluno da rede estadual – onde está a maioria dos jovens – chega com defasagem que não é culpa dele, é do sistema. A universidade pública, paga por toda a sociedade, continua sendo ocupada majoritariamente por quem pôde pagar mensalidade, cursinho, material. O filho do pedreiro, da diarista, do caixa do mercado até passa, mas segue sendo exceção. A escola pública vende o discurso da inclusão; a privada entrega as ferramentas para disputar as melhores vagas.
É nesse cenário que entram os novos modelos: cívico-militar, tempo integral, gestão diferente. Não tiram direito de ninguém; ampliam opções, principalmente para quem não pode pagar escola particular, mas quer mais disciplina, foco em resultado e ambiente protegido da balbúrdia política. Continuam sendo escolas públicas, gratuitas e reguladas pelo Estado.
O que incomoda não é o modelo novo existir; é a chance de ele provar, com números, que o modelo velho falhou. E fica ainda mais irônico falar em “mérito educativo” quando, na semana passada, Lula condecorou Janja e Felipe Neto com Medalha do Mérito Educativo. Difícil acreditar que essa turma queira, de fato, que alguém mude a educação para melhor
Por Cleomar Diesel






